terça-feira, 16 de janeiro de 2018

E se Cristo fosse Nanny?



Lembrei-me, a propósito desta Crónica do Marginal Ameno (Nuno Costa Santos), de 'O Auto' texto que o Teixeira de Pascoaes dedicou a João Corrêa d'Oliveira 'colega nas letras e no volante' e da onda de indignação que o 'Jesus Cristo em Lisboa', da autoria do Pascoes e do Raul Brandão despoletou.
Na sua crónica o Nuno Costa Santos invoca David Brooks e o seu texto 'How would Jesus Drive?'. numa carta ao Jornal A Voz, em defesa do 'Jesus Cristo em Lisboa' Pascoaes invocava, desde o número 32 nas Janelas Verdes em Lisboa, um padre norte-americano autor de um texto com o título 'Se Cristo viesse a Chicago' a quem 'ninguém alcunhou de blasfemo'.
Não há semelhanças entre o texto do Pascoaes e o do Nuno Costa Santos mas um teve o dom de evocar o outro de uma gaveta de memórias e o outro mereceu-me nova leitura e atenção.
Numa outra carta, esta ao Diário de Lisboa e Outros Jornais os autores defendem-se com 'O que é preciso é tornar os homens bondosos, fraternos e justos, isto é, cristãos. Quando o mundo se cristianizar verdadeiramente, estará concluída a grande e única revolução salvadora.' Acho que, para tal, aplicar mais bondade na condução e na saída das rotundas pode ser um bom principio.

'Se Jesus Cristo voltasse ao mundo não entraria em Jerusalém, a cavalo num jumento,mas num vagon de 3ª classe que o deixaria na gare de Siloé, a dois passos daquela fonte que ainda murmura, a medo, num versículo da Bíblia. Mas o pior não era o vagão de terceira classe; o pior era aquele abraço de um amigo - «Olá, Meu caro Messias! Anda daí beber uma cerveja à Brasileira!» Porque a Brasileira, com certeza, já chegou a Jerusalém e dependurou, na cruz do Calvário, o seu fantástico reclame, em letras enormes vermelhas!' in O Auto. Ilustração nº 24, 20-12-1926, pp 25-26 para conculta online aqui

ps O título deste post só lá está para atrair os indignados com ou os defensores do novo programa da SIC Supernannny, quem sabe até a própria da Nanny, ler sobre bondade só lhes fará bem.





sábado, 13 de janeiro de 2018

Nada no Coração


Não esperava um diagnóstico tão frio, depois de ter carregado uma traquitana ao peito vinte e quatro horas e estar cheia de nódoas negras  provocadas pela pressão que o senhor doutor aplicou no aparelhometro de nos ver por dentro.

- Pode ir. O seu coração não tem nada. -disse.


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Silêncio

"Creio que nunca se inventou coisa melhor para suspender uma acção (no sentido de suspense). Se querem um conselho, sempre que um instante absurdo vos pedir palavras, repitam Bulgákov: 'Neste momento, como é inteiramente compreensível, fez-se silêncio debaixo das...arcadas, tectos falsos, abóbada azul do céu...' o que quiserem."

Rui Cardoso Martins in Salada Russa, revista Granta Portugal 10

Sem este sábio conselho do Rui Cardoso Martins e do excelente texto (ida ao cinema) do Mario de Carvalho o número 10 da Granta Portugal seria à semelhança do número 9...hum...neste momento, como é inteiramente compreensível, faz-se silêncio debaixo da manta.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Questões que me apoquentam

As pessoas que me perguntam 'Então, como foi a tua passagem de ano?' referem àqueles segundos que separaram o ano 2017 do ano 2018 e me apanharam embrulhada numa manta, sem voz, porque o pico da gripe vem aí mas na semana passada é que foi ou referem-se aos 365 dias de 2017 em que se estiveram completamente lixando para mim? Hum?


quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Postais


Se me derem a vossa morada envio-vos um postal analógico. Um postal dos berdadeiros, dos que vai pelos correios como deve ser.

Os funcionários dos CTT estão em greve e a melhor forma de os ajudar é enviar cartas, vale-lhes mais do que visitas aos piquetes.

Portanto, com o intuito de responder a essa necessidade social mas também quem sabe ganhar o 'pen friend' que nunca tive, lanço-vos o convite - enviai a vossa morada para o email que está na barra lateral e recebereis um postal meu à antiga






ps Prometo não usar as moradas indicadas para outros fins. Não temais, hoje em dia é mais fácil ser roubado pela via electrónica do que pela analógica.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Não me sai da cabeça

Não tive tempo para apreciar o casario na travessia do Douro. Assim que o comboio partiu de Gaia, agarrei na mochila e coloquei-me de pé junto à porta. 
As viagens sucessivas e a coluna empenada ensinaram-me a arte de empacotar apenas o essencial numa mala pequena que transporto junto aos pés. Junto à porta estavam outros passageiros, tal como eu receavam perder a ligação para a terra, levávamos mais de vinte minutos de atraso.
Duvido sempre da eficácia das escadas rolantes em situações criticas com grandes aglomerados de gentes, mas eram as que estavam mais próximas estavam  logo ali à saída da carruagem vinte e dois segunda classe. Coloquei atabalhoadamente os pés na escada que desci a correr para subir mais adiante. Subi os degraus de acesso à linha número um, o aviso luminoso que indicava a partida do comboio para Penafiel já estava a piscar. 

Tinha isto nos rascunhos do blog, tem mais de dois meses. Acho que era a introdução para algo muito bonito que vos queria contar, algo de que já não me lembro.
Vou passar o dia (o de hoje e talvez os próximos) a pensar nisto assim que me lembrar do que era conto-vos. Fica prometido!




domingo, 10 de dezembro de 2017

Coração de pedra

"Foram as minhas próprias gotas de sangue que deram esta cor à pedra, mas ela é fria como o gelo, em breve estará em cima do meu coração e refrescará a paixão perversa que arde em labaredas dentro dele."

in Coração de Pedra by E.T.A Hoffman

Estou, em Amarante, numa casa frágil sem electricidade há umas horas. Tenho como banda sonora a tempestade e para me distrair da ideia de que o telhado seja levado pelo vento saquei um Hoffman de prateleiras vastas de livros para ler à luz de velas.
Desconfio que, por mais que me custe, vou ter que dar razão aos que me identificam com o género terror.

sábado, 9 de dezembro de 2017

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017