segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Lado Esquerdo


'A margem esquerda dos rios não apetece tanto, seja porque o sol a procura em horas mais solitárias, seja porque a povoa gente mais tristonha e descendente de homiziados e descontentes do mundo e das suas leis.'

Agustina Bessa Luís, Vale Abraão

As minhas casas são, ambas, na margem esquerda. 
Uma, à esquerda do Odres, em frente ao moinho do menino Toninho das Pias o moleiro que sempre conheci velho. A outra, na margem esquerda do Mondego, terra pisada por Reis. 
Calhou-me.



sábado, 27 de agosto de 2016

Tacto

Toque sensível.


Laure Albin Guillot estampa publicitária



Laure Albin Guillot, ilustração para Préludes de Claude Debussy, 1948



Laure Albin Guillot, 1930



Laure Albin Guillot, publicidade a Cigarros



1930



1930


Gotas

A dona Ivete escolheu o lugar à minha direita, o outro era de costas para o destino e ela enjoava menos viajando de frente. Falou-me dos enjoos, do tempo, do atraso com que o comboio seguia e outras trivialidades.
- A menina tem horas? - perguntou-me.
- Sim, são dez e vinte.
- Então, quando forem dez e meia avisa-me, por favor?
- Sim, claro!
Estávamos a partir da penúltima estação antes do destino quando no telemóvel surgiram as dez e meia.
- São dez e meia. - disse-lhe.
A dona Ivete tirou da mala uma bolsinha e da bolsinha tirou um frasco e disse - Então, se não se importa, põe-me estas gotas nos olhos.
Anuí. Segurei a pálpebra como se de uma relíquia se tratasse. 
Lidava com olhos antigos e cheios de histórias, não queria fazer asneira. Fui cuidadosa mas, no momento em que a gota largava a ponta do frasco, o comboio deu um solavanco e a gota caiu fora do olho.
- Oh, caiu fora. Não faz mal.- parecia querer tranquilizar-me - Às vezes acontece, o que é uma chatice porque as gotas são muito caras mas, acontece. É por serem tão caras que tento cumprir o horário à risca. - Engoli em seco.
Suava em bica quando voltei a tentar. A responsabilidade era grande, as gotas eram caras, tanto que ela preferia pedir a um estranho que as colocasse num comboio em andamento a antecipar o horário cinco minutos beneficiando de uma paragem.
Uffa, consegui! 
A dona Ivete colocou o frasco na bolsinha e a bolsinha na mala.
Pouco depois, chegamos ao destino. A dona Ivete olhou o pulso afastou o punho da blusa e disse, mirando um pequeno relógio - Estamos oito minutos atrasados. 
Era uma pessoa rigorosa.
Nunca mais a vi.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Azul


(Rothko)


'Pusemos tanto azul nessa distância
ancorada em incerta claridade
e ficamos nas paredes do vento
a escorrer para tudo o que ele invade.'


Natália Correia, O livro dos amantes


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Sou muitas vezes o azul. Tu, vives no branco. Desencontramo-nos no vermelho. A velha está em todos!



Krzysztof Kieslowski - Trois Couleurs: Bleu-Blanc-Rouge


Adoro o pau de selfie


Sim. Gosto muito do selfie stick ou pau de selfie como se diz no Brasil, a língua é a mesma mas, os brasileiros têm mais facilidade e menos pudor na tradução  ou criação de estrangeirismos para o que chega de fora.
Gosto do pau porque, como alguns já sabem, tenho que passar frequentemente à porta do 'Portugal dos Pequeninos' e desde que ele se tornou popular sou menos abordada pelos turistas para lhes tirar fotografias à entrada do parque. O que me evita bastantes embaraços.
Quando passo em frente ao 'Portugal dos Pequeninos' passo porque vou tratar de algum assunto não estou de férias, a maioria das vezes passo porque vou apanhar um transporte público qualquer, tenho horários a cumprir pelo que recusava muitas vezes parar para tirar a dita fotografia.
Quando ia na minha vidinha e ao portão do 'Portugal dos Pequeninos' avistava uma família, disposta por alturas, a apontar para um familiar que se passeava à frente deles tentando elaborar um plano para ficar também na foto, já sabia o que ia acontecer.
- Ó menina fazia o favor de nos tirar uma foto. - a maioria abordava-me em português com sotaque de quem vive fora há muito, outros faziam-no em inglês.
- Lamento, não posso. Estou atrasada para o autocarro.
Alguns colocavam um ar tão ofendido que pareciam querer bater-me e os familiares, que estando mais afastados não me ouviam, gritavam coisas pouco simpáticas acerca da minha falta de simpatia e disponibilidade para quem me visita.
Questionei-me muitas vezes no meu papel de anfitriã da cidade e do país, ponderei até passar a responder - Claro que tiro! Eu tiro a foto, perco o autocarro, consequentemente o emprego mas, vocês ficam com a foto.
Felizmente, apareceu o pau de selfie e não foi necessário. Os turistas das fotos quase deixaram de me abordar pelo que eu adoro aquele pauzinho.





quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Quem nunca...





Honra seja feita aos chouriços



Cruzei-me, no supermercado, na zona dos produtos de beleza com com um casal de emigrantes. O senhor mostrava à esposa uma latinha de creme azul especifica para homem e ela indignada dizia - mais caro do que lá! E está em promoção! Como é que as pessoas podem viver? Ganham menos mas as coisas são mais caras.

Quando cheguei à zona da charcutaria, outro casal avaliava os chouriços e a senhora dizia ao marido - vou aproveitar para levar mais! Aqui são mais baratos do que lá.

Ou seja, se esquecermos os cremes e começarmos a esfregar o unto dos chouriços na pele, antes de os estufarmos com ervilhas, podemos viver melhor do que na França. Abençoados chouriços que nunca nos deixam ficar mal.



dos Fatos de banho e sua regulamentação




Publicidade a fatos de banho, 1900




Banhistas, 1905




Mulher policia da cidade de Chicago verifica violações ao regulamento dos fatos de banho, 1921




Policias medem fato de banho ca 1925 . Foto de Los Angeles Area Chamber of Commerce Collection.




Fatos de banho aprovados pela mocidade portuguesa feminina, 1941. Capa do Boletim nº 28 de Agosto de 1941. 
Boletins disponíveis na hemeroteca digital 




Chefe  estrela da TV Nigella Lawson com amiga, de férias na Austrália, inicio século XXI




2016, numa 'praia' francesa polícias obrigam mulher a despir-se




terça-feira, 23 de agosto de 2016

Em resumo


A embaixada do Iraque diz “Os Filhos do embaixador protegeram-se"e fala em provocações racistas depois de os filhos, gémeos, do embaixador iraquiano terem sido apontados como autores de brutais agressões que deixaram um jovem português em coma, em Ponte de Sor. 

Já eles resumem o que aconteceu à SIC Notícias que trata a situação com uma reverência aos meninos e à Embaixada Iraquiana que me parece no mínimo estranha. A SIC parece mais interessada em contribuir para a discórdia e confusão, que aumentam a discussão via redes sociais, a fim de se vender internacionalmente do que em informar. 

E foi isto:






Terem divulgado o pedido de desculpas onde os rapazes assumem uma postura de vitimas dos excessos de juventude antes de terem partilhado isto é...enfim, que tire as conclusões quem quiser ou quem tiver o dever de o fazer.

Club Silencio




Rebekah del Rio, Llorando 
in Molhulland Drive, David Lynch, 2001

A BBC elaborou uma lista dos 100 melhores filmes do século XXI. Colocou Molhulland Drive de David Lynch  no 1º lugar e Tabu de Miguel Gomes no 71º. 

Embora estas listas sejam sempre subjectivas, concordo. Há muito que sou fã do Club Silencio e do filme, claro.


Duvido tanto





segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Às vezes


Às vezes, penso que seria feliz numa ilha. Depois, lembro-me de Stromboli.



Stromboli, terra di Dio, Rosselini, 1950

dos Olímpicos

1º Já paravam com isso de comparar Portugal à Grécia, lembrando-nos que 'até a Grécia conquistou mais medalhas que Portugal'. Eles inventaram aquilo!

2º Esqueçam lá isso das medalhas. Nós estivemos lá nos azulejos da cerimónia de abertura, nas rendas da cerimónia de encerramento e estaremos no Tóquio 2020 sempre que alguém disser 'arigato'

3ª Sim, foi muito fofo o Primeiro Ministro japonês sair de um tubo mascarado de Super Mário mas, não nos podemos queixar. Se a Galp ´pedir' aos governantes portugueses que entrem na abertura da Taça de Portugal vestidos de bilha de gás, eles entram. Depois pagam o bilhete do bolso mas, entram.

domingo, 21 de agosto de 2016

Apaixonei-me por um saco de plástico


Isto é sério. Acabo de me apaixonar por um saco de plástico.
Tenho andado por aí a tentar ver e ler tudo o que consigo do Werner Herzog, não perguntem porquê, é daquelas coisas, uma frase chamou-me a atenção e eu fui atrás...
Hoje, encontrei este filme realizado pelo Ramin Bahrani onde o Werner Herzog narra os pensamentos de um saco de plástico apaixonado pela pessoa que o levou para casa e acabou por o deitar fora e apaixonei-me.
Raios me partam se não é o filme mais genial a que assisti nos últimos anos!
O filme está disponível online no canal Futurestates e faz parte de uma colecção que se propõe reflectir como será a vida na América do futuro. 
Ramin Bahrani, mostra como beneficiou da influência de Herzog e a voz de Herzog convida-nos à introspecção enquanto o pobre saco segue em peregrinação.
Não estou certa mas, acho que já me tinham falado disto e deixei passar. Como pude?

Façam-se um favor! Ganhem 20 minutos para as vossas vidas!





“Look into the eyes of a chicken and you will see real stupidity. It is a kind of bottomless stupidity, a fiendish stupidity. They are the most horrifying, cannibalistic and nightmarish creatures in the world.”

Werner Herzog

sábado, 20 de agosto de 2016

Senhoras da baixa que insistem em impingir-me as caixas dos sapatos que lhes compro porque acham demasiado penoso o serviço de as colocarem no lixo ao final do dia


Agradecida!




Regresso ao passado


Hoje, decidi recuperar um sabor da minha infância. Comprei cola branca Pica-pau.
Bons tempos, esses, em que as actividades escolares passavam pela ingestão de consideráveis quantidades de cola, por picotar papel com um 'pico' bem afiado e pela ocupação semanal dos tempos livres onde as meninas mais instruídas da vila, as que tinham o sexto ano, nos ensinavam a lidar com a subtileza das agulhas enquanto fazíamos ponto de cruz.





O facebook insiste em querer mandar na minha vida. Reactiva-me a conta de 8 em 8 dias sem que lho solicite.
Eu insisto - é temporário, voltarei um dia. Mas, ele prefere dar ouvidos aos algoritmos e reactiva-me a conta com medo de que não volte.
Pois, pode muito bem reactivar o que quiser, eu só volto quando me apetecer.









sexta-feira, 19 de agosto de 2016

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O meu problema é ter demasiado 'sex appeal'


Sim, tenho demasiado sex appeal mas, já ando a tratar de o perder para evitar chatices.



Só tenho que me esforçar e aproveitar o que de bom nos é colocado à disposição. Tudo muito acessível e em qualquer lugar.

Sopa

Fruta

Uma dose de vaidade regulada



E pequenas doses de prazer (não posso abdicar de tudo!)


Fico sempre triste quando se reduz a vida de alguém a 'mulher de'

in Expresso


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Diplomas

Soubemos de fonte segura que o sr Miguel Relvas está irritado com isto dos Jogos Olímpicos.
Não compreende que estejam a dar diplomas aos atletas que não ganham medalhas. Acha injusto já que a ele que foi para o Brasil promover a língua e a cultura lhe tiraram o melhor diploma que tinha arranjado.

Apeteceu-me bailar


Comprei uma garrafa de vinho. Apeteceu-me. Queria fazer como as mulheres independentes e sofisticadas dos filmes, vestir uma coisa confortável e beber um copo de vinho a ouvir a Nina (Simone). Ela havia de gostar que, por uma vez, a ouvisse relaxada, a rodopiar com um copo de pé alto na mão.

Já em casa, pus a Nina a rodar, vesti o pijama novo e fui ao frigorífico. Quando vi a garrafa lembrei-me que não tenho copos de pé. Nesta casa que permanece, eternamente, de passagem não tenho louça sofisticada. Bebi uma Água das Pedras pela garrafa e fui dormir.





terça-feira, 16 de agosto de 2016

Scherzo não

Se tiver que ser, se tiver mesmo que ser dividam-me nas 76 semínimas por minuto de um andante que nem precisa ser amoroso. Não me retalhem nas mais de 100 batidas de um adagio e muito menos num scherzo que não tenho paciência para coisas longas. Nem muito rápido nem muito longo. Um andante, pode ser um andante.


meloteca

domingo, 14 de agosto de 2016

desde que não me incomodassem pessoalmente...


‘Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente.’

Bernardo Soares, in 'Livro do desassossego'


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

E se um dia eles se cansam?












Espero que encontre o destino apesar da decisão de não a remeter.







sexta-feira, 5 de agosto de 2016

austeridade digna


As férias no Algarve estão para a classe politica actual como as botas de elástico estavam para o Salazar.
Há que passar ao povo a ideia de 'austeridade digna'. O Salazar era bastante coerente não se contentava com parecer austero, ele era austero, mais ou menos vá... já os popularuchos que por aí andam, portugueses ou estrangeiros, trocam à primeira oportunidade o mercado de peixe algarvio por uns calções de 270 euros.






É que se continuam a insistir eu acabo por ler a senhora



MARCELO REBELO DE SOUSA. Presidente da República, 67 anos, no final de uma extensa lista de leituras de Verão.

Tenho muita dificuldade em compreender as pessoas que desperdiçam o período de férias lendo listas intermináveis de livros e que fazem questão de a cumprir. Se estão de férias têm possibilidade de saborear a leitura, ruminar um livro confrontá-lo com o cheiro do mar ou da serra...Porque desperdiçam uma oportunidade destas? Não compreendo.
E a Ferrante? Também não a compreendo. Alguém leu e quer opinar?




quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Quando se dá o regresso a minha ausência já é um facto consumado.





ps. desactivei o facebook, outra vez. Vamos ver quanto tempo aguento sem aquilo.

Ostracizada


Em Agosto sinto-me ostracizada.
Não gosto de praia o que me exclui de grande parte das conversas, programas e partilhas blogosféricas realizadas nesta época.
Deitei-me a tentar perceber porque é que não gosto de praia e só encontrei uma explicação, cresci a assistir a 2 ou 3 afogamentos dia na série Baywatch. É a única explicação que encontro, acho até estranho que as pessoas da minha geração continuem a ir à praia. Os rapazes eu até compreendo que tenham esperança de encontrar uma daquelas moçoilas do corpo de nadadores-salvadores, uma daquelas que saía do mar melhor penteada e maquilhada do que eu saio do cabeleireiro, agora as raparigas…sejamos sinceros o David Hasselhoff não era nenhum deus grego. Enfim…


ps Sim, sou branquela parem de me perguntar se não vou à praia. Agradecida.




Até que um dia temos uma ideia

Um incêndio no arquipélago espanhol das Canárias em que morreu um guarda-florestal foi provocado por um cidadão alemão que tinha feito as suas necessidades na mata e pegou fogo ao papel higiénico, anunciaram esta quinta-feira as autoridades.

O homem "declarou aos agentes que provocou o incêndio acidentalmente, depois de ter defecado e ter ateado fogo ao papel higiénico utilizado", de acordo com um comunicado da polícia.



' Methodo de restituir a vida ás pessoas aparentemente mortas por afogamento ou sufocação.'


'Assoprai-lhe com força os bofes por meio de um fole ordinário, cuja ponta do canudo entre por uma das ventas (...)'     
Antes prevenir que remediar. Não vos quero a veranear desinformados. Deixo-vos este método.
Aviso-vos também que: 

1º - se estais na Manta Rota, com o ex-Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho não vale a pena tentar, neste caso a morte aparente é crónica

2º se estais em Boliqueime, com o antigo Presidente da República Cavaco Silva também não resulta,neste caso a morte não é aparente, neste caso já nem as 'fumaças de tabaco introduzidas na via posterior por meio de uma seringa' resultam.



 'Feira da ladra' Tomo VII, 1935


As borlas do Sr. Rocha Andrade


O secretário de Estado dos Assuntos fiscais aceitou que a Galp lhe pagasse duas viagens para ver jogos da seleção no Euro: com Hungria e França. O fisco tem 100 milhões em contencioso com a Galp. aqui


Fui aluna dele, na FDUC, numa das cadeiras que não fiz e foram tantas desse malogrado curso que não fiz. Lembro-me de ter ido a uma ou duas aulas. Não recordo a matéria mas recordo as olheiras e o ar boémio do senhor. Vi-o poucas vezes na faculdade mas, apesar de não ser muito dada aos festejos académicos vi-o mais vezes no recinto da queima e da latada do que nas aulas. Por essa altura, devia ter a mesma dificuldade que tem agora em recusar ofertas.
Apresentava um estado de embriaguez tão elevado, ao final da noite, que dava para perceber que se tinha sentido obrigado a aceitar todos os finos, shots e traçadinhos que os alunos lhe ofereciam ao som de mais um F-R-A. Como recusar? Recusar seria falta de educação.
E as alunas? Dizem que as alunas também lhe ofereciam coisas irrecusáveis apesar de há época ter o mesmo especto de agora, eu disso não sei. Ouvi dizer mas, não sei. Sei que no final do ano e logo a seguir à Queima das Fitas tinha um professor, que aceitara ‘ofertas’ de alguns alunos e celebrara com eles a cada brinde, a dar notas e a decidir o futuro de tantos outros.
Parecia pouco ético mas, que fazer? Eu não fiz a cadeira, a necessidade de trabalhar atravessou-se à frente da concretização da cadeira ou do curso e apesar de não ter frequentado ou realizado a cadeira no início de século XXI aos olhos de uma miúda de 20 anos o Sr Professor ganhava a cada observação ou relato de embriaguez estatuto de génio. Um boémio que consegue ser doutor de leis, manter o estatuto profissional e progredir na carreira tinha que ser um génio.
Posto isto, devo dizer que não estranho que tenha aceitado as ofertas da Galp não considerando que existisse um conflito de interesses, o senhor não está habituado a pensar nisso, deixaram-no chegar onde está sem que tivesse de pensar nisso.





quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Espaço


- Olá, tudo bem? Hum...pois... Uma coisa tens que saber, elas precisam de espaço para trabalhar. Se não lhes deres espaço elas fogem.
Dizia o passageiro do banco atrás do meu, instruindo o interlocutor com segurança, evidenciando conhecimento e experiência. Tracei-lhe o perfil, simpatizei com ele sem lhe ver a cara. Espaço. Um empresário ou gestor que compreende que 'elas precisam de espaço para trabalhar', alguém raro e...

- E o outro enxame como está? - Continuou ele.

Abelhas! O homem falava de abelhas. 
Não foi uma desilusão, já que pouco distingue um enxame de qualquer outro grupo corporativo. Há muito que a 'Arte da Guerra' do Sun Tzu foi substituída pela observação do reino animal. Qualquer gestor de topo soma referencias ao 'The Ape And The Sushi Master' do Frans the Waal e se não soma é porque algo vai mal na sua gestão ou então é só um daqueles não executivos pelo que dispensa qualquer investimento no trabalho ou carreira. 
Não foi uma desilusão mas, eu já tinha feito outro filme e como me esqueci de colocar um livro na mala e a internet do Intercidades é quase nula fui o resto da viagem a escutar uma aula magistral acerca de como manter uma colmeia. Dar espaço às abelhas, substituir a rainha, tratar a colmeia para prevenir doenças, ter atenção à cor da cera se for escura é mau sinal, desdobrar a colmeia...  fiquei com vontade de apostar no ramo, ao que parece há subsídios.






Mas chove



A vista não é má mas chove.
Felizmente chove!
Se zelassem por mim descontavam-me, do IMI, o incómodo dos dias de sol.








terça-feira, 2 de agosto de 2016

Call me Ishmael



«What of it, if some old hunks of a sea-captain orders me to get a broom and sweep down the decks? What does that indignity amount to, weighed, I mean, in the scales of the New Testament? Do you think the archangel Gabriel thinks anything the less of me, because I promptly and respectfully obey that old hunks in that particular instance? Who ain't a slave? Tell me that. Well, then, however the old sea-captains may order me about—however they may thump and punch me about, I have the satisfaction of knowing that it is all right; that everybody else is one way or other served in much the same way—either in a physical or metaphysical point of view, that is; and so the universal thump is passed round, and all hands should rub each other's shoulder-blades, and be content.
Again, I always go to sea as a sailor, because they make a point of paying me for my trouble, whereas they never pay passengers a single penny that I ever heard of. On the contrary, passengers themselves must pay. And there is all the difference in the world between paying and being paid. The act of paying is perhaps the most uncomfortable infliction that the two orchard thieves entailed upon us. But being paid,—what will compare with it? The urbane activity with which a man receives money is really marvellous, considering that we so earnestly believe money to be the root of all earthly ills, and that on no account can a monied man enter heaven. Ah! how cheerfully we consign ourselves to perdition!»