sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Conselho extraordinário


Hoje saí para trabalhar e deparei-me com tamanho aparato policial que pensei que tinha acontecido uma desgraça na minha rua. Depois, reparei nos carros de gama alta estacionados à porta do centro de congressos cada qual com seu segurança engravatado segurando um guarda-chuva para qualquer eventualidade e lembrei-me do conselho de ministros. Ainda vi a senhora ministra da Justiça entrar no automóvel.
Os policias amontoavam-se em grandes grupos e alguns pareciam aborrecidos. Não haviam manifestantes.
Segui para o trabalho e na Fernão Magalhães, em plena luz do dia, um homem retirou à minha frente e à de quem mais por ali passava, um saco pequeno, transparente e cheio de pó branco de uma caixa de electricidade, gás, água ou outro serviço qualquer. Ali mesmo, entre as 14h30 e as 15h00, de uma parede à porta de uma pensão, junto à Loja do Cidadão.
Eu vi, outras pessoas viram, os policias, que estavam aborrecidos à porta do Convento de São Francisco, não.

Quando saí do trabalho, tudo tinha voltado ao normal.

Cruzei-me com drogados, ou meros apreciadores de açúcar em pó que claramente exageram na dose. Cruzei-me com putas, chulos e não vi um único polícia, coitadinhos àquela hora já deviam estar a descansar, tiveram um dia extenuante.


ps Entretanto as gentes ilustres da cidade, os que privam com ministros e seus agregados discutem coisas tão importantes como um cartaz acerca das praxes académicas . Interessante pensar que o cartaz foi afixado por uma dessas jotinhas S D desta vida que acabou de colocar o líder de uma das suas sucursais (é assim que se diz?) na 'Casa dos Segredos' alguns dias após ter morrido mais um soldado vitima de bullying  perdão, praxe oh perdão novamente, golpe de calor era o que queria dizer, um soldado ter morrido com um golpe de calor (fico a admirar ainda mais os bombeiros sempre que um parvo qualquer acredita que nos vai impingir esta idiotice). Este reino cheira a podre...


8 comentários:

  1. Point nr. 1: putas, de facto, é mesmo em itálico (as putas são outras)

    Point nr. 2: caraças, a Fernão de Magalhães é uma avenida :D

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    1. acho que se tornou uma estrada ladeada de prédios tão desprezível que me estou completamente nas tintas para a sua classificação toponímia.
      quanto às outras que não são avenidas são também putas caso contrário não insultavam, ameaçavam ou criavam situações menos agradáveis aos que não tendo outra alternativa saem do trabalho pelas 22h00 e esperam pelo autocarro ali perto. Aborrece-as que a normalidade dos outros lhes estrague a sua e espante os clientes.
      Eu considero quem me limita a minha liberdade bastante puta ou cabrão. Já me senti muito segura em Coimbra, livre de seguir os meus caminhos sem ter que olhar constantemente por cima do ombro já não sinto.

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  2. nem sei o que dizer... as putas sempre foram simpáticas comigo, já nã posso dizer o mesmo dos polícias... dos políticos então... piores que drogados...

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    1. deves ter cara de rico. as putas são simpáticas para ti os policias tratam-te mal e os políticos não te largam como os drogados pedintes, porque todos querem o mesmo, querem o dinheiro que aparentas ter...

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  3. Discreteando sobre o seu p. s.:
    nem sempre podemos estar de acordo, mas eu não gosto de escamotear as questões, que me parem ter alguma importância.
    Dito isto, tenho grandes reservas em relação às Praxes académicas.
    Se a coimbrã se mantém divertida, imaginosa e inteligente, como a conheci nos anos 60, tudo bem: óptimo.
    Não é o caso das práticas lisboetas, em que a discricionariedade campeia, bem como a boçalidade, a selvajaria e a humilhação predominam.
    São, no fundo, estas as minhas razões.
    Um bom fim-de-semana!

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  4. Errata:
    na 3ª linha, em vez de "parem", quis escrever : parecem.

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    1. as praxes em Coimbra são bastante divertidas e menos agressivas do que noutros locais. penso que é dos únicos locais onde os caloiros são praxados apenas por colegas do mesmo sexo o que os protege de situações menos próprias descritas por alunos de outras Universidades. As situações mais perigosas ou que podem de facto constituir um crime são fruto de excessos cometidos por jovens e podiam ter acontecido noutro local qualquer. aqui sabemos que não há alunos de 2º ou 3º ano a alugar casas de praia para realizar rituais de iniciação para uma qualquer espécie de 'seita' com o propósito de praxar os caloiros seguintes, aqui a praxe é integração.
      De resto acho que estamos de acordo que todos os crimes devem ser devidamente investigados e todos os criminosos punidos. Diabolizar a praxe académica, especialmente a de Coimbra da qual milhares têm boas memórias e poucos têm razões de queixa, é ridículo. Fazer deste assunto, um assunto de agenda politica ainda mais.
      Certamente o jotinha que está na casa dos segredos e que em breve pode virar assessor num qualquer ministério perto de nós não foi 'desvirtuado' na praxe e a falta de segurança crescente numa cidade que em Setembro recebe cerca de 15000 novos habitantes, para o ano escolar, não é um assunto pouco relevante, devia estar na agenda de qualquer partido que querendo insistir no assunto praxe lhe deviam dar o devido lugar, hierarquicamente abaixo da segurança, tráfico de droga, redes de prostituição, tráfico de pessoas...

      É a minha opinião e cada um tem a sua, cabe-me respeitá-la. Continuarei a achar estranho que as questões referidas de segurança, tráfico de droga, redes de prostituição e tráfico de pessoas sejam ignoradas por quem se move junto dos que podem decidir em detrimento do assunto praxes só porque em tempos alguém fez deste um assunto sonante nas redes sociais.

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    2. A resposta será que a praxe não dá dinheiro a ganhar.
      Folgo saber que em Coimbra, as coisas correm como corriam: com regras. Haverá excepções, como no meu tempo havia. Um caso, por exemplo, um caloiro meu colega foi rapado 3 vezes, porque o "rapador" (quartanista) que promoveu o julgamento, pertencia a uma família, de Matasosinhos como a do meu meu amigo, que se detestavam entre si, há já 2 ou 3 gerações...
      O meu caso foi singular e de sorte, já estava marcado o meu julgamento na "Baco", quando se deram as broncas com o decreto 40.900 (?) e a ida do ministro da Educação a Coimbra , creio que para inaugurar a Biblioteca. Claro que houve cartazes a protestar, polícia de choque, estudantes presos. E a praxe foi suspensa. Dias depois, um dos meus presumíveis rapadores, ao ver-me, exclamou: "Tens de escrever um postal ao Salazar a agradecer não teres sido rapado!" E assim escapei à tonsura...
      Renovo os votos de bom fim-de-semana!

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