sábado, 29 de outubro de 2016

apreciar, apreçar


Num dos episódios da série Peanuts, baseada na obra homónima do Charles Schulz, a turma do Charlie Brown vai em visita de estudo a um museu. Ao chegar ao local, Charlie Brown e os amigos mais próximos, perdem-se do resto da turma e entram num supermercado pensando que estavam a entrar num museu.
Tudo lhes pareceu extraordinário, tudo lhes mereceu análise e despertou sensações. Foi uma experiência nova da qual saíram transformados, iam predispostos a ver arte e encontraram-na em tudo o que viram.


Rainha Isabel II, num supermercado de Poundbury, 27 de Outubro de 2016

Rainha Isabel II, na sua primeira visita a um supermercado, Outubro de 1957



ps Se calhar, não devia terminar o post sem fazer uma consideração qualquer mas, vocês tratam bem disso sozinhos. Certo?


A night so still


Não resisti. Fui ver os Tindersticks. Estavam mesmo aqui à porta não dava para resistir muito. Poupo noutra coisa qualquer, isto de viver não pode ser só trabalhar e pagar contas.
O concerto foi maravilhoso. Cruzei-me com eles, há tarde, a caminho do trabalho estavam no semáforo, aquele maldito semáforo que leva horas a ficar verde para os peões, tentavam atravessar porque estava no laranja intermitente e há uma passadeira pintada no chão mas, recuavam a cada dois passos em frente com expressão de quem pensa o mesmo que eu - Mas, estes bárbaros não param?! Se querem ter prioridade numa cidade andem a pé!  Senti-me partilhar algo mais com eles do que a simples melancolia soturna e   Não tive coragem para lhes dizer Follow me, eu ensino-vos o truque para chegar ao outro lado mais depressa.
Há noite, depois do trabalho eles disseram , ou melhor tocaram Follow me (o primeiro tema do último CD, Waiting Room) e foi maravilhoso depois do rebuliço do dia A night so still.





segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Pirateada


Ando sem grande paciência para coisas ou pessoas.
Faço o indispensável. Passei o fim-de-semana quase todo em casa, fui às compras, à sala de espectáculos vizinha garantir uns bilhetes, fiz sopa para o jantar e para o resto da semana e pouco mais.
Depois de jantar o facebook convidou-me a ver onde tinha iniciado sessão, acedi e fiquei a saber que nas ultimas 24h00 tinha acedido ao facebook em Gaia e em Lisboa. Sentia-me mal por ter tido um fim-de-semana pouco produtivo mas afinal, segundo o facebook, fartei-me de passear ou alguém o fez por mim.

Interrompo várias vezes a minha utilização de facebook, fi-lo recentemente mas, como mudei de trabalho e é uma forma de contacto útil entre colegas voltei a utilizar. Uso-o como agregador de informação e partilho artigos cuja leitura interrompo por alguma razão, ficam lá para que termine de os ler quando tiver tempo, não ando à procura de 'gostos'. Quem teria interesse em aceder ao meu facebook? Não tenho lá segredos. E, porquê Gaia? E Lisboa?

Sinto-me pirateada. Nada tenho a perder pois não tenho tesouros mas, sinto-me invadida.
São os riscos que corremos por andar neste mundo virtual. Antigamente só nos espreitavam quando estávamos em casa se deixássemos as cortinas abertas.





quinta-feira, 20 de outubro de 2016

I see things




An elephant from the American vaudeville stage riding a specially constructed tricycle, 1918 (Photo by Fox Photos/Getty Images)

Toponímia

Atire a primeira pedra quem não pensou, mesmo que por uns segundos, que Carro Queimado era uma pista e não a terra onde o suspeito  se tinha escondido.

Antes destes tempos motorizados as terras tinham nomes decentes como Várzea de Ovelha e Aliviada, Vale da Rata, Venda da Gaita... para além de criativa a toponímia apelava ao sentimento pelo que podemos encontrar Angústias em Paredes de Coura ou Amor ali para os lados de Leiria...

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

like a rolling stone

Não levem a peito. Qualquer dia o Le Carré ganha um prémio na MTV e ficam todos amigos outra outra vez.



quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Há festa na aldeia


Para mim, é mais uma semana a trabalhar sem dormir, graças aos decibéis que me chegam do parque e transformam o meu quarto numa discoteca que acaba de contratar o pior Dj de que há memória.
Para os doutores uma semana de férias, mais uma.

A farsa, nº 05, 13 de Março de 1910

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Are you talking to me?


Eu como desencartada e frequente utilizadora de transportes públicos que vive numa cidade onde os taxistas ignoram os sinais de potenciais clientes para que os mesmos tenham que ligar para a central, que já pagou várias vezes avultada taxa de bagagem para ter que ser a própria a colocar a malinha na bagageira do carro enquanto o taxista a observava pelo espelho no conforto do lugar do condutor e que já foi maltratada por um taxista que estava na praça de táxis sem serviço/livre e achou insultuoso que fosse para um destino tão próximo - ó menina vem-me agora chatear para ir para aí, isso não chega a 10 euros! (passou de 5, por cinco minutos de trabalho e 3km de combustível e desgaste), que já viu a vidinha andar para trás quando um taxista que a transportava pelas dez horas da manhã de um sábado adormeceu e só acordou com o sobressalto de ter arrancado o espelho de um carro estacionado....Eu, nem sei o que vos diga.









sábado, 8 de outubro de 2016

Hospedei-me


aqui




Questões que me apoquentam


Há, cada vez mais, homens jovens a comportar-se como cat ladies, crazy cat ladies.








so not true!
Atentem que o livro em questão foi escrito por um comediante não o levem à letra caros crazy cat duddes


Na vida como no cinema

Era tão bom! Os meninos faziam-nos promessas e nós acreditávamos.

(...)

'Um dia eu ganho o totobola
Ou pego na pistola
E que eu morra aqui
Mulher tu sabes o quanto eu te amo

O quanto eu gosto de ti
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à lua
Nem que eu roube a lua,
Só p'ra ti'


Depois crescemos, encontramos a realidade e descobrimos que não há heróis.



John Wayne, seguido do seu cavalo em 1959


Clint Eastwood,1972

O problema dos homens é desconhecerem que nós sabemos isso. 



quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Deep from the heart





“All the best ♥”, escreve Juncker, à mão, desejando o melhor a Guterres oferecendo-lhe o coração.
Eu bem que desconfiava que não passava de uma jovem senhora romântica. Aliás, só isso explica que esteja à frente da Comissão Europeia, ser uma jovem senhora é a sua melhor qualidade.


Um lamento estridente

Para todos os que desperdiçaram o feriado numa fila, para visitar o MAAT gratuitamente, um lamento sentido e uma estridente gargalhada.
O MAAT terá entrada gratuita até Março de 2017!

Tansos...





segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Presente aquém do futuro que sonhamos

Andava eu, na minha triste vidinha, a disputar restos de promoções com velhas matreiras e escorregadias quando ao microfone da loja alguém gritou:

- Joana d'Arc à sua caixa! Joana d'Arc à sua caixa!

Senti-me melhor acerca da minha triste condição.
Se até ela que privou com Deus nosso senhor o todo poderoso acabou numa caixa de supermercado, ter trabalho é uma sorte.




Sonho

Ontem depois da ópera adormeci e sonhei. Normalmente sei quando sonho mas, não me lembro do sonho. Ontem retive a experiência vivida no subconsciente.
Depois da ópera, bufa, sonhei que estava num hotel, um hotel chique onde também se hospedava o Elton John e estava felicíssima porque me tinham chamado ao quarto dele para receber uma lembrança. O Elton foi bastante cordial, recebeu-me com um sorriso e deu-me uma camisola azul autografada.
Não gosto particularmente do Elton John, não tenho dinheiro para me hospedar em hotéis e não sou do género de coleccionar autógrafos. Por que raio fui sonhar com isto?  E, por que raio de todos os sonhos que tenho ou devo ter me recordo logo deste?


domingo, 2 de outubro de 2016

A Vespetta ficou rouca


Diria que para o personagem foi castigo merecido já para a interprete foi um azar imerecido que veio atrapalhar uma excelente performance.
Gostei muito apesar do final apressado, a adaptação é excelente, os músicos e os cantores também.
São da zona centro e vão andar por aí, recomendo.




SINOPSE
O “Intermezzo Pimpinone” foi um dos maiores sucessos do compositor alemão Georg P. Telemann (1681-1787). Para aliviar as fatídicas histórias das grandes tragédias, que muitas vezes exigiam longas trocas de cenário, era comum intercalar nos intervalos os chamados intermezzi com música mais leve, com temas cómicos, seguindo a tradição da ópera buffa.
A história começa com a camareira Vespetta em busca de um marido e vê no rico mercador Pimpinone uma possibilidade de independência. Assim, deliberadamente, Vespetta seduz Pimpinone que se apaixona por ela e lhe oferece emprego.
FICHA TÉCNICA
Compositor Georg P. Telemann
Libretto J.P. Praetorious
Tradução Ema Maia, Graça Maia, Miguel Dias e Tânia Ralha
Adaptação vocal António Ramos e Tânia Ralha
Encenação, Cenografia e Figurinos Mário Alves
Direção musical António Ramos
Cantores Nuno Mendes e Tânia Ralha
Figurante Dinis Ludgero
Orquestra Camerata Joanina António Ramos, Clara Dias, Sofia Grilo (Violinos), Ricardo Mateus (Violeta), Rogério Peixinho (Violoncelo), Samuel Pedro (Contrabaixo), Rui Grenha (Guitarra Barroca), Raquel Resende (Cravo)

Produção Jorge Silva e André Janicas

sábado, 1 de outubro de 2016

O barquinho da Joana

     
      Eu tenho muita dificuldade em aceitar algumas ‘obras’ como arte, já disse. Não me parece que um qualquer objeto passe a ter estatuto de arte só porque o autor arranjou uma boa soma de palavras para o elevar a tal categoria. A mim parece-me necessário que outras características, como a originalidade, devem ser a eles associadas para que sejam realmente arte.
        Portugal apesar de ter um património cultural (material, imaterial, móvel e imóvel) imenso não tem a cultura como prioridade. No entanto, tem feito algum investimento na arte. Em 2013, participou novamente na bienal de Veneza, o que é bom. Só não se compreende porque é que em lugar de diversificar, levando artistas diferentes repetiu a aposta numa artista que já recebera esse apoio, Joana Vasconcelos. Não gosto de grande parte das suas obras. Talvez seja porque tive má nota em alguns trabalhos de EVT que eram muito mais bonitos.
        Sim, os sapatos são giros e os corações também (deve ser por isso que os está sempre a repetir nas suas mostras). Mas, grande parte da sucata e quinquilharia que apresenta não passa disso! Quando começou a embrulhar peças do Bordalo Pinheiro em bordados nem sequer se dava ao trabalho de fazer um estudo de cores, comprava bordados nas feiras e remendava-os. Eu vi! Patch work qualquer dona de casa faz mas, ninguém as leva a Veneza!
        Para a bienal de 2013 a senhora optou por um cacilheiro. Mais uma ‘obra’ que não consigo ver como arte. Em primeiro lugar porque qualquer miúdo do 5º ano a quem se proponha que faça um trabalho sobre os portugueses através da arte pensaria num barco que acabaria por estilizar com ou sem bordados; em segundo lugar porque quando vamos a um museu dos transportes ninguém chama arte aos veículos que lá estão e por último porque a ideia de levar um barco ao estrangeiro para representar Portugal, que a senhora e respetiva equipa diziam ser pioneira em muitas dimensões, como podem ler aqui, não é lá muito inédita...
        Em 1940 Portugal organizou a Exposição do Mundo Português e imaginem só o que é que os portugueses decidiram criar? Um barco!
        Mais propriamente uma nau que depois da exposição deveria viajar pelo mundo mostrando aos estrangeiros as maravilhas do mundo Português. Tal como o cacilheiro da Joana Vasconcelos teve alguma dificuldade no arranque.
        A ‘Nau Portugal’ construída propositadamente para o efeito, em Aveiro, tombou assim que foi colocada na água mas, foi recuperada e exposta em Lisboa e embora não tenha seguido para o estrangeiro a ideia já era essa (a Europa agora está em crise mas na época o mundo estava em guerra).
       O cacilheiro da queriduxa Joana arrancou e ainda se aguentou uns tempos, pelas águas desse mundo mas, hoje encalhou ali no Cais dasColunas, no emblemático Cais das Colunas.

Podem ver no filme que se segue do Leitão de Barros que termina com a frase curiosa de que "os portugueses actuais sabem repetir as obras-primas do passado (…)" eu olhando para a ‘Nau Portugal’ e para o ‘Cacilheiro Trafaria’ acredito que isso já não é bem assim...






Uma questão de vistas


Cavaco pagou metade do IMI pela casa da Coelha, porque ver bifes da terceira idade a passear sem camisa é pior do que ter vistas para o cemitério.