sábado, 1 de outubro de 2016

O barquinho da Joana

     
      Eu tenho muita dificuldade em aceitar algumas ‘obras’ como arte, já disse. Não me parece que um qualquer objeto passe a ter estatuto de arte só porque o autor arranjou uma boa soma de palavras para o elevar a tal categoria. A mim parece-me necessário que outras características, como a originalidade, devem ser a eles associadas para que sejam realmente arte.
        Portugal apesar de ter um património cultural (material, imaterial, móvel e imóvel) imenso não tem a cultura como prioridade. No entanto, tem feito algum investimento na arte. Em 2013, participou novamente na bienal de Veneza, o que é bom. Só não se compreende porque é que em lugar de diversificar, levando artistas diferentes repetiu a aposta numa artista que já recebera esse apoio, Joana Vasconcelos. Não gosto de grande parte das suas obras. Talvez seja porque tive má nota em alguns trabalhos de EVT que eram muito mais bonitos.
        Sim, os sapatos são giros e os corações também (deve ser por isso que os está sempre a repetir nas suas mostras). Mas, grande parte da sucata e quinquilharia que apresenta não passa disso! Quando começou a embrulhar peças do Bordalo Pinheiro em bordados nem sequer se dava ao trabalho de fazer um estudo de cores, comprava bordados nas feiras e remendava-os. Eu vi! Patch work qualquer dona de casa faz mas, ninguém as leva a Veneza!
        Para a bienal de 2013 a senhora optou por um cacilheiro. Mais uma ‘obra’ que não consigo ver como arte. Em primeiro lugar porque qualquer miúdo do 5º ano a quem se proponha que faça um trabalho sobre os portugueses através da arte pensaria num barco que acabaria por estilizar com ou sem bordados; em segundo lugar porque quando vamos a um museu dos transportes ninguém chama arte aos veículos que lá estão e por último porque a ideia de levar um barco ao estrangeiro para representar Portugal, que a senhora e respetiva equipa diziam ser pioneira em muitas dimensões, como podem ler aqui, não é lá muito inédita...
        Em 1940 Portugal organizou a Exposição do Mundo Português e imaginem só o que é que os portugueses decidiram criar? Um barco!
        Mais propriamente uma nau que depois da exposição deveria viajar pelo mundo mostrando aos estrangeiros as maravilhas do mundo Português. Tal como o cacilheiro da Joana Vasconcelos teve alguma dificuldade no arranque.
        A ‘Nau Portugal’ construída propositadamente para o efeito, em Aveiro, tombou assim que foi colocada na água mas, foi recuperada e exposta em Lisboa e embora não tenha seguido para o estrangeiro a ideia já era essa (a Europa agora está em crise mas na época o mundo estava em guerra).
       O cacilheiro da queriduxa Joana arrancou e ainda se aguentou uns tempos, pelas águas desse mundo mas, hoje encalhou ali no Cais dasColunas, no emblemático Cais das Colunas.

Podem ver no filme que se segue do Leitão de Barros que termina com a frase curiosa de que "os portugueses actuais sabem repetir as obras-primas do passado (…)" eu olhando para a ‘Nau Portugal’ e para o ‘Cacilheiro Trafaria’ acredito que isso já não é bem assim...






4 comentários:

  1. nã sendo um entendido na matéria, e isto é só uma ideia que tenho, a arte morreu por altura do século passado com o minimalismo... ainda deu um último sopro com o expressionismo, mas mesmo esse movimento já vinha do passado, tudo o que se faz daí para a frente são imitações fracas... e a Joanita é como muitos outros, uma macaquita de imitação...

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    1. não sejas assim ainda há uma ou outra coisa gira...às vezes!

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  2. Mesmo que a nau tenha baldado, a mesma foi construída (mal é verdade, de raiz). O cacilheiro já existia, só lhe pôs uma "capa"! Nada de extraordinário!

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    1. sim! a Paula é que podia começar a arranjar uns patrocínios do estado para as coisas que embeleza com as suas linhas :)

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