segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Torpor

Tememos que o torpor que nos afecta o corpo e nos faz calcular a hora do despertar em função da possibilidade de acordar com as mãos fechadas e só as conseguir abrir 15 minutos depois nos afecte por dentro quando no balanço do dia percebemos que aquilo com que de mais interessante nos cruzamos foi: duas gaivotas a disputar uma velha garrafa de plástico que jazia no rio. Coitadinhas nem sequer consegui erguer os braços para as enxotar xô minhas tontas isso mata-vos.
Mas depois há outro dia voltamos a atravessar a ponte e quando passamos sob um enorme bando de gaivotas a pontilhar o céu de um azul perfeito e pintado por nuvens em harmonia perfeita o único pensamento que nos vem à cabeça é Deus queira nenhuma se lembre de obrar cá para baixo. Percebemos então que não podemos estar assim tão entorpecidos. Obrar não é uma palavra corriqueira não dizemos ou pensamos ai mas que vontadinha de obrar me deu agora. Quando o nosso cérebro escolhe obrar percebemos que se mantém activo e que o que não lhe falta é criatividade. Pudesse eu dizer o mesmo das mãos... das mãos e da preguiça que me levou as virgulas todas deste texto. Leiam em voz alta.


12 comentários:

  1. nã me fizeram falta esses golpes na prosa. ia tão bem lançado e o obrar é coisa magnífica :)

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    1. reparei em algo absolutamente fantástico mas que nã consegui partilhar com ninguém... quando obro, os meus ouvidos fecham :D

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    2. ahahaah...escusavas de ter partilhado comigo, agradeço a confiança. guardarei o teu segredo até ao túmulo.

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  2. Nós fazemos as pausas, basta respirar!

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  3. As gaivotas estão com sorte, com a subida dos oceanos, terão mais propriedade privada, ainda seremos nós a discutir com um bando de gaivotas um peixe esquálido. bfds

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  4. Certamente, pela manhã, ias a caminho de obrar as oito horas do costume. Daí a lembrança! Há obrar e obrar! :P

    Beijocas, Téstiq :)

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