sábado, 30 de setembro de 2017

Reflexões, notas


- Chateia-me ter paredes finas. Às vezes apetece-me ler em voz alta.

- Atrapalham-me rostos desconhecidos que se franzem na esperança de um reconhecimento. Preferia que me chamassem. Sou péssima a reconhecer rugas, óptima com vozes.

- Há na minha rua janelas fechadas sem vidros, partiram. 

- Falar ao telefone em contexto laboral, limitou-me a capacidade de o fazer socialmente.
As respirações, os sons, os silêncios, os tons não são sociais, trabalham-se.

- Não vos julgo. Também eu me acho pouco mais do que portadora de um conceito nos, raros, momentos em que a dor, crónica, me dá tréguas.

- Sobre o momento em que nos sonho ambos somos inconscientes. 

- Alguém devia dizer ao Rodrigo Amarante que o seu The Ribbon, às vezes, me faz chorar, ao Valter Hugo Mãe que fiquei com vontade de o experimentar outra vez (aos livros! a ver se corre melhor)... e à Madona que, por mim, tanto faz. 

- Se escrevesse a sério sentir-me-ia ofendida quando uma obra minha me chegasse às mãos limpa sem sublinhados, rabiscos ou desenhos nas margens, vestígios de uma leitura mastigada em pausas frequentes. Sou leitora para me deixar orgulhosa, uso esferográfica azul.

- Alimento a esperança de que um dia chegarei a casa com as mãos cheias de ventos. Para já, continua a escapar-me entre os dedos. 

- É tarde, devia dormir. 






8 comentários:

  1. Li com agrado os seus "aforismos" pessoais.
    Mas vai perdoar-me, Teresa, porque eu tenho uma cruzada pessoal antiga com a fraude que é o "mãezinha caxineiro" e não consigo suportar-lhe, nem o mamar doce, nem o ovalado de Colombo mascarado de sonso publicitário...
    Um bom fim-de-semana!

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    1. ahaha... compreendo.
      No meu caso há uma questão de gosto, nada visceral. Li os primeiros romances e não fiquei fã mas agora que me cruzei com ele pessoalmente e fiquei com a melhor impressão possível, no pouco que privamos, fiquei curiosa para ler os romances mais recentes e perceber quais foram a evolução e transformações, dele e minhas, volvidos estes anos. As pessoas mudam, a qualidade e o gosto não são estáticos e eu só formulo opinião depois de conhecer pelo que quero mesmo voltar a ler um romance dele.

      Bom fim-de-semana!

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  2. gostei das tuas reflexões Tétisq
    não sendo autora gosto que os livros me cheguem às mãos sem nada escrito, apenas na primeira página às vezes gosto de ler o que escreveram antes de mim, assinaturas, locais, datas, depois acho que quando e se encontro algo escrito se interpõe entre o que estou a ler, fica entre mim e o texto, o sublinhado ou a opinião de quem leu antes o que leio agora e não gosto disso, embora talvez não me importasse numa segunda leitura de encontrar esse registo de um outro leitor

    um beijinho e uma boa noite

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    1. Eu tenho comprado livros usados mais pelos riscos, notas, dedicatórias dos que já os usaram/leram do que pela obra.
      Beijinhos, Gabi.

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  3. (é cedo, tu és linda demais para o teres percebido, mas qualquer cousa me diz que serás sempre linda demais, jamais percebendo aquilo do cedo, mas sim évsempre cedo :)

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    1. Linda eu? Não aconteceu...
      E nunca é tarde, por certo.

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  4. surrealista sim e muito bom. gostei, Tétisq.

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