Vinde! Vede! Estais todos convidados


Há pouco mais de um ano, decidi ganhar algum tempo para mim.
Depois de ter despistado o diagnóstico de uma doença degenerativa que felizmente não tenho e me ter tornado oficialmente doente de dor crónica, mudei de trabalho, ganhei folgas ao fim-de-semana e resolvi ocupar o tempo livre com algo que me desse prazer.
Assim sendo, tentei explorar esta coisa de contar causos numa perspectiva de narrativa do real que mesmo abdicando de qualquer julgamento sobre personagens ou acções me permite estimular a imaginação ao criar cenários ficcionais.
Depois de em Julho ter estreado no encerramento do Festival mimo em Amarante uma curta-metragem elaborada no âmbito de um Workshop com a realizadora Luísa Sequeira e o ilustrador Sama que me permitiu explorar a importância que a narrativa assume independentemente dos meios técnicos usados vou na próxima segunda-feira estrear uma curta-metragem realizada durante o curso de Cinemalogia 6 que frequentei.

O curso de Cinemalogia 6 foi realizado no âmbito da XXII edição do Festival Caminhos do Cinema Português, que se juntou à Universidade Aberta e à Semana Cultural da Universidade de Coimbra com o mote 'Quem somos?'. Frequentaram-no um conjunto ecléctico de formandos cujo trabalho resultou numa curta-metragem.

Somos essencialmente memória e assim sendo o cinema assume um papel importante na nossa definição, tanto pelas memórias que preserva como pelas que evoca e pelas que provoca.
Foi uma experiência interessante cuja memória irei preservar e certamente evocar frequentemente, assim como o privilégio e a oportunidade de trabalhar com excelentes profissionais que de forma generosa se deslocaram a Coimbra e aos quais agradeço destacando o Simão Cayatte a quem devo um agradecimento especial por toda a disponibilidade dispensada apesar da minha dificuldade crónica em estar contactável.


Não me perguntem de onde vêm as sinopses que por aí circulam ou porque insistem em escrever o meu nome incompleto eu, Teresa Isabel Queirós, não sou culpada de tudo.
A Costureirinha é um trabalho simples, realizado sem orçamento e em contexto de formação mas é um trabalho que tendo ocupado a minha vida num momento particularmente sensível me é muito querido e apesar de todos os problemas e defeitos que possa ter cumpre o mais importante de uma curta-metragem - sabe a pouco.
Espero que quem tenha a oportunidade de assistir fique com vontade de ver mais (dava-me um certo jeito para me livrar de mais umas páginas).

A aparente simplicidade do nome 'A Costureirinha' desmonta-se na polissemia que assume 'A Costureirinha' pode ser uma de três personagens: Ermelinda (Sandra José), mãe, viúva, fechada sobre si, com dificuldade em demonstrar afecto pela filha apesar de se matar a trabalhar por ela, Maria uma menina viva que percebe, do seu jeito infantil, a tristeza da mãe que rejeita para si e a costureirinha, lenda que inunda a bibliografia de causos nacionais e interfere de forma particular na vida de mãe e filha. Isto num cenário cujo ambiente retrata o contexto social da classe baixa, no interior do país, dos anos 50/60. 

O Festival Caminhos do Cinema Português tem a sua XXIII edição de 27 de Novembro a 03 de Dezembro. Eu, como estou nas lonas mas quero ver cinema voluntariei-me para ajudar e ver cinema de borla, vou andar por aí. Apareçam!






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