Semiótica

A fim de amenizar as acusações de homofobia e racismo que pesavam sobre si o então candidato à presidencia do Brasil emprestou o seu sobrenome a um candidato a deputado federal negro que passou a usar o nome Hélio Bolsonaro em vez do seu habitual Hélio Negão. Hélio passou a surgir ao lado do candidato Bolsonaro, sentado ao seu lado na mesa da família, usando o seu nome mas nunca pronunciando mais do que parcos vocábulos ensaiados. Hélio era o senhor lá de casa para quem Bolsonaro forçava um sorriso de canto da boca quando afirmava que as acusações de racismo que pesavam sobre si não tinham fundamento.

Pediram-me, depois do post anterior,que usasse a semiótica para analisar a postura de sô dona Judite Sousa, pediram-me que lesse todos os sinais para perceber como ao tratar a senhora lá de casa por 'senhora cá de casa' e ao deixar-se fotografar com ela sô dona Judite está a permitir-lhe que faça parte da sua vida.
E eu penso que se essas pessoas lessem o que me pediram em voz alta achariam uma enorme perda de tempo pôr-me a ler os sinais da sô dôna como li os do então candidato acerca do qual a própria sô dona escreveu um livro por considerar perigoso o seu método de transmitir sinais errados através das redes sociais de forma a usar a superficialidade das novas tecnologias para evitar uma leitura semiótica às suas reais intenções... mas, já que estou a curar uma gripe e não está a dar nada de jeito na televisão tirei um bocadinho para ver os sinais de sô dona Judite Sousa.
Continuo a ver esta postura da sô dona como uma coisa de classe média do Estado Novo e até colonial: ' vejam como trato bem a criada mesmo sendo preta!'. Cheira a mofo e é perigosa já que grande parte dos apoiantes de candidatos como Bolsonaro pensa assim.


Comentários